Ex-ministro da Secretaria de Governo na gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem
partido), o general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz afirmou que o
presidente "blefa" ao dizer que tem o apoio institucional das Forças Armadas em
sua gestão.
Em entrevista ao canal do YouTube "Sua Excelência, O Fato", Santos
Cruz, ao ser questionado sobre o suposto apoio dos militares e das Forças
Armadas que o presidente diz possuir, declarou que "é evidente" que Jair
Bolsonaro está blefando, e atribuiu a percepção existente em parte da população
de que o governo está aliado com as Forças Armadas devido à grande quantidade de
militares em postos-chave no Palácio do Planalto.
"Pela minha experiência de
vida, 47 anos dento do exército, também não vejo nenhum apoio institucional, a
instituição se comprometendo com o governo", disse, ressaltando que "sem dúvidas
nenhuma [Bolsonaro blefa ao dizer que tem apoio das Forças Armadas]".
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| General Carlos Alberto Santos Cruz disse que Bolsonaro não tem o apoio institucional das Forças Armadas |
"O que que
aconteceu?
Aconteceu uma deformação na representação social que foi essa grande
quantidade de militares escolhidos para a função de governo.
Isso traz uma
percepção para a sociedade - e é uma percepção correta da sociedade, você não
pode dizer que ela está errada - de que existe um comprometimento institucional
[com Bolsonaro], que não existe e isso é explorado propositalmente [pelo
presidente]", completou.
Santos Cruz também defendeu que os militares da ativa
devem deixar a base do governo, e criticou o envolvimento de membros das Forças
Armadas em denúncias de supostos casos de corrupção durante o combate à pandemia
de coronavírus.
"Tem militar demais na saúde, levados por um ministro que é
general da ativa.
Então, que respondam pelos atos que são acusados.
Não deviam
ter ido", afirmou.
"Esperava uma nova forma de política".
Ainda na entrevista,
Carlos Alberto dos Santos Cruz reafirmou sua sensação de frustração com o
governo Jair Bolsonaro.
Segundo declarou, ele votou no presidente por esperar
que ele faria "uma nova forma de política" com foco no "combate à corrupção".
"Esperava uma nova forma de política, de respeito.
Esperava um combate à
corrupção, a eliminação de privilégios.
É isso que eu esperava, fazer as coisas
com planejamento, com coordenação, não ter radicalismo político", disse,
ressaltando que Bolsonaro "aprofundou" a divisão da sociedade "iniciada pelos
governos do PT".
Para o ex-secretário, o atual chefe do Executivo Federal foi
eleito em 2018 devido ao "sentimento" de antipetismo que naquele momento era
"muito forte na sociedade", e que Jair Bolsonaro disse durante o período de
campanha "as coisas que as pessoas queriam ouvir, não o que ele iria fazer".
"Todo mundo esperava que ele tivesse condição de cumprir o que prometeu",
pontuou.
POSTADO POR:RANIERI MARTINS
FONTE:UOL
FONTE:UOL

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